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Seu Mero - Almerindo Evangelista dos Santos
(nascido em 29/10/1927) “ Meu apelido? É o peixe que vocês gostam! ”, brinca Seu Mero, puxando risada, mesmo com a fala hoje mais comprometida. Ele sempre foi conhecido como Mero desde pequeno e carrega no olhar um brilho que só quem viveu quase um século de histórias consegue ter. Nascido na Limeira, antigo distrito de Itacaré, Seu Mero veio para o Pinheiro há 60 anos, junto com a primeira esposa e os filhos, em busca de um novo pedaço de chão para plantar e viver. Filho de
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Dona Valdevina - Valdevina Maria de Jesus Santos
(nascida em 20/07/1924) “ Dizem que já passei dos cem... será? ”, responde com um sorriso tímido. A verdade é que Dona Valdevina carrega no corpo miúdo e no olhar manso uma vida centenária de histórias, trabalho e raízes profundas. Nasceu em Piabanha, na região do Laricó Grande, distrito de Maraú, filha de Maria Domingas de Jesus e de Tertuliano José dos Santos — a quem não chegou a conhecer. Ainda jovem, chegou ao Quilombo do Pinheiro, em Itacaré, onde já vive há 80 anos, já
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Dona Dete - Odete Silva Nascimento
(nascida em 11/03/1945) Dona Dete, como é carinhosamente conhecida no Quilombo do Pinheiro, chegou à comunidade ainda menina, aos 6 anos de idade, vinda de Barra do Rocha, em Ubatã, onde nasceu. Filha primogênita de Cândido Bento da Silva, mineiro, e Antônia Maria de Jesus, a saudosa Dona Toninha, foi criada ao lado de quatro irmãos, numa infância cercada de trabalho, mata e sabedoria popular. Dona Dete nos recebeu com muito afeto e alegria. Saiu contando que, pouco tempo ant
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Dona Dalva - Dalva Ribeiro do Nascimento
(nascida em 08/05/1934) Quando perguntamos sua data de nascimento, Dona Dalva sorriu e respondeu: “ eu não me alembro ”. No seu tempo, as famílias anotavam as datas em cadernetas, quando anotavam. Os registros vinham depois, às vezes muito depois. R o ano acabava se perdendo na memória. Mas a vida, ela lembra com riqueza de detalhes. Nascida em Pau Brasil, veio para o Quilombo do Pinheiro aos 10 anos de idade, acompanhando a família. Faz 80 anos que aqui construiu sua históri
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Irmão Chico - Francisco Oliveira de Jesus
(nascido em 17/09/1939) Quando chegamos, Irmão Chico estava sentado à porta de casa, repartindo pedaços de pão com os pombos. Uma rotina diária que revela a calma e o cuidado com que conduz seus dias. Nascido e criado no Marimbondo, Seu Francisco sempre viveu no quilombo urbano que carrega em cada lembrança. Foi na igreja evangélica, há 23 anos, que ganhou o apelido de Irmão Chico, mas a vida inteira foi conhecido pelo sorriso largo, pela paixão pela cozinha e pela memória ge
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Dona Marina - Marina Freire de Jesus
(nascida em 08/01/1943) Dona Marina nasceu no Quilombo João Rodrigues, filha de Domingos Freire de Jesus, da região de Taboquinhas, e de Antônia Ana Bonfim, do Quilombo Oitizeiro. Os pais sempre trabalharam muito na roça, cultivando mandioca, milho e cacau, que garantiam o sustento da família e ainda rendia algum dinheiro na feira. Desde cedo, as crianças acompanhavam o trabalho na terra, e Dona Marina, sendo a mais velha dos sete irmãos, cresceu nesse ritmo. Entre eles, estã
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Dona Madá - Maria Madalena Nascimento dos Santos
(nascida em 08/01/1953) O nome Maria Madalena foi escolha da mãe, que queria muito que a chamassem de Madá. E assim ficou: Dona Madá, figura querida no Marimbondo, mulher de riso largo e palavra firme. Nasceu na Povoação, em Itacaré, em 1953. Filha de João Fagundes dos Santos, do Quilombo Serra de Água, e de Dona Margarida Maria Nascimento dos Santos, também da região da Povoação — “ preta, preta, preta ”, como Dona Madá repete com orgulho. A família carrega histórias de resi
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Dona Luci - Lucia Mendonça Bricidio
(nascida em 07/01/1946) Nascida e criada em Itacaré, Dona Luci é dessas figuras que carregam a memória da cidade no jeito de falar, de viver e de lembrar. Filha de pais também nascidos em Itacaré, cresceu em uma família numerosa — cinco mulheres e quatro homens — todos filhos da terra. Aos 10 anos foi morar com a avó materna, Dona Crotildes Evangelista Lima, com quem viveu até os 17. Não chegou a conhecer os avôs — nem o materno, que faleceu quando era pequena, nem o paterno,
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Dona Francisca - Ednalva Souza da Cruz
(nascida em 16/10/1953) Dona Francisca foi registrada apenas quando já era adulta, mãe de dois filhos. O pai — de quem não guarda lembrança — fez o registro depois de ser procurado pelo filho mais velho para assumir a paternidade dos filhos. Ela acredita que ele tenha inventado o ano. Brinca dizendo que, pelo tanto que já viveu, deve ser bem mais velha do que diz o papel. Nascida em Aurelino Leal, veio ainda menina para Itacaré, entregue pela mãe para ser criada em uma casa.
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Dona Bela - Belanísia Maria da Conceição
(nascida em 10/02/1937. Data na Certidão de nascimento: 05/05/1935) “ Eu devo ter uns 300 anos ”, respondeu Dona Bela, rindo, quando perguntamos sua idade. E quando quisemos saber onde nasceu, disse: “ Em cima de uma cama. ” E onde ficava a cama? “ Num quarto. ” E completou, entre risadas: “ Acho que foi no Socó, mas não lembro, não... ” Hoje, Dona Bela fala pouco, anda com dificuldade e precisa de muito cuidado. Passou por infarto, AVCs, diabetes e a memória já se dispersa.
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Abodeu - Aloísio Santana de Jesus
(nascido em 26/10/1944; falecido em 25/07/2025) Iria completar 81 anos, mas partiu em 25 de julho passado, deixando saudades. Abodeu era daquelas figuras que todo mundo conhecia. E não é só pelo nome — é pelo jeito. Pela risada fácil, pelas histórias cheias de caminho, pelas lembranças do tempo em que Itacaré era chão de terra e trilha de mato. O apelido nasceu de uma dor. “ O pai me deu uma surra... e eu gritava ‘Ai meu Deus! Ai meu Deus!’ Daí ficou Abodeu. ” Quando pergunta
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Seu Cassemiro - Cassemiro Elias dos Santos
(nascido em 04/03/1956) Seu Cassemiro nasceu em Ibirapitanga, mas com apenas um ano de vida já estava no Quilombo do Pinheiro, em Itacaré. Veio junto com os pais, Emiliana Antônia de Jesus e Izidorio Elias dos Santos, e os sete irmãos. Era o caçula — posição que, segundo contam, ele sempre soube aproveitar com certa arteirice. Foi para a escola no Pinheiro, “ escola de roça mesmo ”, mas conta que não aprendeu muito. “ Há 59 anos era difícil demais. Tinha ano que tinha profess
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Pascoal - José Afonso de Jesus Filho
(nascido em 22/03/1947 — ou quase) “ Dizem que eu tenho 78, mas acho que não. Manoel Cupim tirou meu documento errado, mas ficou por isso mesmo... ” É com esse jeitinho simples e desconfiado que Pascoal começa a contar sua história, entre uma risada tímida e um silêncio que guarda mais do que revela. Nasceu do outro lado do Rio de Contas, na Fazenda Felizarda, onde também nasceram seus cinco irmãos. Era o mais novo. Os pais — Pascoal, de quem herdou o apelido, e Dona Matilde
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Dona Maria - Maria Antônia dos Santos
(nascida em 29/05/1946) Dona Maria nasceu em Ibirapitanga, mas a vida a trouxe cedo para Itacaré. Chegou ao Pinheiro com a família aos 12 anos, a mais velha de oito irmãos — papel que a fez amadurecer cedo. Filha de Emiliana Antônia de Jesus, que morreu nos seus braços, e de Izidorio Elias dos Santos, que viveu até os 95 anos. Não guarda lembranças dos avós, mas carrega no peito as histórias que ouviu e a força que herdou. Estudou pouco, “ mal aprendeu o nome ”, como ela mesm
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Irmão Mané - Manoel Marques dos Santos
(nascido em 28/03/1961) “ Se eu pudesse, até depois de morto eu ficava aqui... Mas não pode, né? ” Irmão Mané fala sorrindo, com aquela serenidade de quem conhece o valor de viver com o pé fincado no chão onde nasceu. E se depender dele, nem o espírito vai embora: “ Vai ficar em casa, cuidando das coisas ”, garante. Nascido e criado no quilombo do João Rodrigues, Irmão Mané nunca quis outra vida. “ Acordo cedo, tomo um café e vou pra roça. ” É assim desde novo - e é assim que
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Das Neves - Maria das Neves de Jesus Freire
(nascida em 08/10/1949) Das Neves, como é conhecida por todos, nasceu no Quilombo João Rodrigues. Filha de Antônia Ana Bonfim, do Quilombo Oitizeiro, e de Domingos Freire de Jesus, da região de Taboquinhas, cresceu cercada pela natureza, por uma família numerosa e por muita sabedoria popular. Teve seis irmãos, entre eles uma adotiva. Das lembranças da infância, destaca-se a avó Francilina, cabocla de cabelo liso, "pega a dente de cachorro", como se dizia no costume antigo. Do
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Dona Lió - Leonice Maria de Jesus
(nascida em 01/08/1944) “ Eu moro sozinha mais Deus. ” É assim que Dona Lió resume, com simplicidade e fé, a força com que atravessou sua história. Nascida em Tijuipe Grande, “ em cima da mata ”, como ela diz, chegou ao Fojo ainda jovem, já grávida, e ali criou sua família inteira. Fez quinze filhos. Perdeu três. Criou doze. Hoje, são dez filhos vivos e uma neta órfã — que a mãe cria em São Paulo. “ Os filhos, foi tudo eu que criei. As roupas deles? Nunca ninguém deu, eu mesm
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Dona Conceição - Maria da Conceição Santos
(nascida em 25/09/1952) “ Nasci junto com a primavera. Foi em Taboquinhas, numa fazendinha. ” Dona Conceição gosta do tempo frio. " Porque no calor, com casa de eternit, esquenta demais... aí empata de dormir. " Filha de Roberto Martins dos Santos e Petrolina Amaro de Souza, cresceu vendo o trabalho da roça e ouvindo as histórias de quem andava pelo mundo. O pai criava animais e saía pelas estradas vendendo panacum. " Ele amarrava o lote de bicho e ia-se embora. " Moreno clar
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Ceiça - Maria da Conceição dos Santos
(nascida em 27/09/1961) " Nasci numa sexta-feira, 27 de setembro de 1961. Libriana,... mês tá assim, mês tá lá... ". É assim que Ceiça gosta de se apresentar, com um sorriso largo e o jeito doce de quem traz as histórias na ponta da língua. Nasceu da barriga, como ela diz com o nome já escolhido. “ Minha mãe fez promessa pra Nossa Senhora da Conceição. Se fosse homem, era José. Como fui mulher, já pulei na terra com o nome pronto: Maria da Conceição. ” E assim ficou, Ceiça,
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Bojoró - João Gomes da Cruz
(nascido em 24/11/1950) “Bojoró” é o nome que o acompanha desde menino — “ botaram esse apelido porque eu era pequeno, gordinho e fortezinho... mas até hoje não sei o que é Bojoró ”, conta ele, rindo do mistério que carrega no nome. Filho único de Judite Maria da Conceição e José Gomes de Jesus, nasceu no Fojo, na fazenda Cajazeiras, onde vive até hoje. A mãe, que chegou “ mãe de filho ” de Salvador, se apaixonou por Seu José, e os dois criaram juntos os quatro filhos que ela
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Mais Velhos Homenageados e Homenageadas
Aqui é possível conhecer todas as pessoas homenageadas pela exposição. Navegue e conheça todas essas histórias!
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