Irmão Mané - Manoel Marques dos Santos
- resistenciaehistor
- 4 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de nov. de 2025

(nascido em 28/03/1961)
“Se eu pudesse, até depois de morto eu ficava aqui... Mas não pode, né?”
Irmão Mané fala sorrindo, com aquela serenidade de quem conhece o valor de viver com o pé fincado no chão onde nasceu. E se depender dele, nem o espírito vai embora: “Vai ficar em casa, cuidando das coisas”, garante.
Nascido e criado no quilombo do João Rodrigues, Irmão Mané nunca quis outra vida. “Acordo cedo, tomo um café e vou pra roça.” É assim desde novo - e é assim que ele gosta. Planta cacau, mamão, açaí, cupuaçu. A esposa, Ceilma, prepara as polpas de açaí e cupuaçu — juntos, vendem o que tiram da terra com o suor do dia.
Mas entre um plantio e outro, ele sempre volta. “De hora em hora, tô em casa pra tomar um café.” É nesse vai e vem que ele cultiva não só as plantas, mas também a tranquilidade do cotidiano.
Gosta de pescar de anzol no Rio de Contas — junto com a esposa. “A gente só pesca quando vai comer peixe. E não come peixe todo dia.” Criam galinhas, então sempre têm um ovo, um franguinho pra garantir. Mas ele lamenta: “A água tá muito suja... tem muita gente de fora pescando com rede, tarrafa. Não é mais como antes. Tem menos peixe agora.”
Filho de Benício Francisco dos Santos e Zelanita Marques de Jesus, ambos da região, Manoel tem dez irmãos. Com Ceilma, teve quatro filhos. E agora já são oito netos — a família segue crescendo, espalhando raízes no mesmo território onde ele nasceu.
E mesmo com o tempo passado, ele não larga a roça. Nem se assusta com as cobras que encontra no mato. “Antigamente, quando a gente não entendia nada, até comia. Mas hoje em dia não. Agora a gente entende que não é certo matar pra comer.”
Irmão Mané é o retrato de um viver simples e pleno. Fala baixo, anda devagar, mas tem a firmeza de quem sabe exatamente onde pisa — e de quem, vivo ou em espírito, não quer sair de perto da terra que lhe deu tudo.






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