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Dona Marina - Marina Freire de Jesus

  • resistenciaehistor
  • 5 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 9 de nov. de 2025

Retrato de Dona Marina, mulher preta de 82 anos. Ela tem poucas rugas e está sorrindo de canto de boca. Seus cabelos grisalhos encarapinhados estão presos para trás por uma faixa azul de tricô. Ela usa um vestido escuro estampado e está à frente de um tecido verde e amarelo.

(nascida em 08/01/1943)


Dona Marina nasceu no Quilombo João Rodrigues, filha de Domingos Freire de Jesus, da região de Taboquinhas, e de Antônia Ana Bonfim, do Quilombo Oitizeiro. Os pais sempre trabalharam muito na roça, cultivando mandioca, milho e cacau, que garantiam o sustento da família e ainda rendia algum dinheiro na feira.


Desde cedo, as crianças acompanhavam o trabalho na terra, e Dona Marina, sendo a mais velha dos sete irmãos, cresceu nesse ritmo. Entre eles, estão Seu Manoel Cupim, homenageado pelo projeto em 2023, Das Neves, homenageada este ano, e Seu Diú, que infelizmente nos deixou em 2024 sem que sua história fosse registrada.


Já adulta, Dona Marina aprendeu o ABC e a cartilha. “Eu leio e escrevo, mas agora já não enxergo muito”, conta. Sua professora foi uma sobrinha querida que perdeu a vida em um acidente.


As lembranças da infância trazem a figura marcante da avó materna, Dona Francilina, uma cabocla, filha de uma indígena “pega a dente de cachorro”, como se dizia no costume antigo. De cabelos lisos e traços indígenas, Yayá, como gostava de ser chamada, não aceitava ser chamada de avó. Era carinhosa e prendada, recebia os netos em sua casa com comidas saborosas e festejava o São João com fartura: canjica, milho cozido, arroz doce e muita alegria.


Mãe de cinco filhos – quatro mulheres e um homem –, Dona Marina nos conta que duas nasceram na Volta do Poço e os outros no João Rodrigues. Sobre casamento, responde com bom humor: “Graças a Deus que Deus não me deu licença pra casar não, tive três namorados, morei com eles – mas casar não.” Alegre, era frequentadora assídua de festas, serestas e sambas, sua música preferida. Cantava e dançava animada, sempre acompanhada das amigas.


Católica, já visitou o candomblé, mas nunca se envolveu. Lembra com saudade das tradições do João Rodrigues, como o Bicho Caçador e a Festa de Reis, que já não existem mais na comunidade. “Acabou tudo isso, porque as pessoas que faziam foram se acabando também”, lamenta.


No Marimbondo, porém, Dona Marina se enche de alegria ao recordar a Volta da Jiboia, criada por Dona Percelina, na qual dançou muito, além do Samba da Leoa, manifestação da qual participou com entusiasmo. Hoje essas manifestações ainda resistem no Quilombo do Marimbondo pelas mãos de Dona Mãezinha, Dona Nete e Dona Nélia, todas homenageadas pelo projeto em sua primeira edição em 2023.


Dona Marina, atualmente em cadeira de rodas, conserva o bom humor, o brilho no olhar e a paixão pelo samba — cantou para nós alguns versos de suas canções preferidas, prova viva de sua força e alegria.

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