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Dona Maria - Maria Antônia dos Santos

  • resistenciaehistor
  • 4 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 9 de nov. de 2025

Retrato de Dona Maria, mulher negra de 78 anos. Ela está sorrindo, usa óculos com aro marrom, está vestindo uma faixa bege na cabeça escondendo os cabelos e usa uma blusa azul clara. A mão, dobrada à frente do colo, está com as unhas pintadas de vermelho e o fundo é uma parede laranja.

(nascida em 29/05/1946)


Dona Maria nasceu em Ibirapitanga, mas a vida a trouxe cedo para Itacaré. Chegou ao Pinheiro com a família aos 12 anos, a mais velha de oito irmãos — papel que a fez amadurecer cedo.


Filha de Emiliana Antônia de Jesus, que morreu nos seus braços, e de Izidorio Elias dos Santos, que viveu até os 95 anos. Não guarda lembranças dos avós, mas carrega no peito as histórias que ouviu e a força que herdou.


Estudou pouco, “mal aprendeu o nome”, como ela mesma diz. Mas lembra direitinho da professora Benta. E isso lhe arranca um sorriso tímido.


Conheceu Seu Manoel Cupim em uma festa no Pinheiro. Ela era festeira, gostava de dançar — e ainda gosta. Segundo Seu Manoel, Dona Maria se apaixonou logo de cara. E ele brinca: “Eu, com dó, também me apaixonei.” O casal vive brincando, se provocando com amor e riso.


Ela tinha 24 anos, ele 22. “Ela terminou de me criar”, diz ele, rindo. “Fizemos um teste e deu certo.” Casaram-se em 22 de setembro de 1971. Quando completaram 50 anos, celebraram com uma grande festa de bodas de ouro, cheia de alegria.


Tiveram 11 filhos, mas um nasceu morto. Criaram os 10 com as graças de Deus, como gostam de contar. “Quando adoeciam, ia na casa da vara (na mata) buscar remédio”, lembra Seu Manoel. Os “buguelinhos”, como ele chama os filhos pequenos, cresceram fortes com comida da natureza: caça, guaiamum, caranguejo, peixe — tudo pelas mãos habilidosas de Seu Manoel, sempre com a ajuda de Dona Maria.


Passaram por muitas dificuldades, mas a paz nunca lhes faltou. “Ela não quis me largar, eu também não quis, e aí estamos vivendo, buscando sempre ser um exemplo pros filhos”, conta ele, com olhar cheio de cumplicidade.


Hoje, moram sozinhos no João Rodrigues. “Um cuida do outro e o outro cuida do um” é como definem a vida atualmente. Os filhos, todos, foram para a escola, espalhando o valor que aprenderam em casa. Dois vivem em São Paulo, um trabalha em Salvador ("mas está sempre por aqui") e os demais vivem em Itacaré.


Mesmo com a memória de Dona Maria um pouco comprometida, a alegria permanece. Continuam festeiros: vão juntos às serestas na cidade, dançam até quase amanhecer. Quando voltam para casa, voltam leves, com o riso no rosto e o corpo ainda balançando no compasso da música.


Dona Maria é ternura firme, mulher de silêncio doce e de risada solta quando está com Seu Manoel. Um casal que inspira, exemplo vivo de cumplicidade, alegria e resistência — prova de que, quando o amor é semente boa, ele floresce a vida inteira.

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