Dona Lurdinha - Maria de Lourdes Oliveira
- resistenciaehistor
- 5 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de nov. de 2025

(nascida em 25/06/1950)
Dona Lurdinha nasceu em casa, como era costume na época, na comunidade da Ribeira, em Itacaré. Veio ao mundo no dia 25 de junho de 1950, com o cuidado da tia que foi sua madrinha de umbigo, e logo foi batizada na Igreja de São Miguel. Desde então, sua vida sempre foi entre as águas e as ladeiras da cidade.
Conhecida por muitos como "Catchaca" — apelido que ela diz não gostar muito, “o povo gosta de botar apelido nos outros, rapaz” —, prefere mesmo ser chamada de Lurdinha.
É filha de Dona Candinha, que nasceu em Camamu, e de Seu Antônio, pescador vindo do norte da Bahia conhecido como Barriga Branca, que trocou a farda pelo mar. Ela perdeu a mãe ainda pequena. Lembra com carinho que foi criada por Dona Gilza, de finado Mainho.
Da infância, lembra mais de estar em casa com os irmãos e de ouvir as histórias que o pai contava. Uma delas, repetida com gosto, fala de um ouro encantado encontrado no poço da Ribeira: “O pai pegava, deixava na mesa… no outro dia sumia e aparecia de novo no poço.”
Caçula de cinco irmãos, Dona Lurdinha viveu em vários cantos de Itacaré — Ribeira, Resende, Santo Amaro e, hoje, no Porto de Trás. Criou os filhos no Santo Amaro, onde ainda guarda um pedaço de roça com pés de coco, herança do companheiro com quem viveu um tempo. “A casa que tinha lá bagaçou toda”, conta com tristeza, mas revela o sonho de levantar um barraco simples e voltar a passar um tempo na roça.
Teve cinco filhos — três homens e duas mulheres — todos criados com muito esforço e todos vivendo até hoje em Itacaré. Nunca deixou de batalhar. Pescava de siripóia no Forte e, quando a vontade bate, ainda se junta com as amigas marisqueiras pra uma pescaria leve, dessas que alimentam o corpo e o espírito.
Frequentadora fiel do CRAS, orgulha-se de participar das atividades, fazer ginástica e assistir às palestras. Dona Lurdinha, apesar da fala mansa e tímida, é dessas mulheres que fincaram raízes fundas em Itacaré. Uma figura querida, guardiã de histórias e saberes que resistem com leveza.






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