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Seu Dudu - Eduardo José dos Santos

  • resistenciaehistor
  • 5 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 9 de nov. de 2025

Retrato de Seu Dudu, homem preto de 81 anos. Apesar da idade, seu rosto quase não tem rugas. Ele olha para a câmera com feição tranquila e tem barba e bigode brancos. Está usando um boné verde, deixando à mostra apenas ralos cabelos brancos, e uma camisa social azul listrada. Está à frente de folhas de arbustos.

(nascido em 26/06/1944)


Seu Dudu nasceu no Banco do Paris — hoje chamado de Vila Maria, acima de Água Fria, no município de Aurelino Leal. Filho de Elias José dos Santos e Joviniana Maria da Conceição, cresceu numa família grande. Eram oito irmãos, criados com afeto e firmeza sempre na presença dos avós maternos, Antônia Mestre Maria da Conceição e Estevam Lopes.


Ele guarda viva a lembrança da avó, mulher de “boa idade e muito competente”, que cuidava dos netos com zelo e firmeza. Foi com ela que aprendeu a fé católica, rezando todas as noites diante do altar, ao lado dos irmãos. E conta, com sorriso nos olhos, que só apanhava da mãe se a avó não estivesse por perto: “Minha mãe não me exemplava se ela estivesse por perto, minha avó não deixava ela arriar em mim, não”.


Aos 8 anos, perdeu o pai. E foi com o tempo que foi trilhando o próprio caminho — que passou a se entrelaçar com o de Dona Lourdes, também homenageada nesta edição do projeto, com quem se casou e formou família. Foi o sogro, Seu João, quem o convenceu a ir morar em Serra de Água, onde recebeu um pedaço de terra e fincou raízes.


Diz que sempre foi de fé forte. Por dez anos “encarreados” foi à Bom Jesus da Lapa. Saíam em caminhão, junto com 40, 50 pessoas do quilombo. “Três dias de viagem, dormia pelas estradas, fazia a comida no acampamento... Era uma viagem boa!”, relembra com saudade. A esposa o acompanhou por quatro desses anos. Hoje, diz que faz mais de 30 anos que não vai — “o casal que levava a gente já faleceu, acabou.


Só foi à escola depois de adulto, no Mobral, mas aprendeu o suficiente para assinar o nome e ler algumas coisas. “Pouquinho, mas aprendi”, diz com simplicidade.


Seu Dudu é daqueles que plantou muito — lavoura, filhos e histórias. Teve 17 filhos, sendo 14 com Dona Lourdes. “Família muito grande”, brinca. Netos e bisnetos, já perdeu a conta. Mas a alegria de ver tantos frutos da vida está estampada no rosto.


Nos recebeu com orgulho para mostrar a casa de farinha da comunidade, construída e mantida por ele e a esposa. “É a única que restou”, diz. “Quem tem mandioca faz farinha aqui.


Na roça, tem de tudo: mandioca, laranja, limão, abacate, jambo, acerola, jiló... tudo plantado com as próprias mãos e o apoio de Lourdes. É do quintal que vem a fartura. E do coração, a sabedoria de quem viveu muito, com fé, trabalho e amor à terra.

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