Seu Didi - Arionildo Gomes Sá
- resistenciaehistor
- 5 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de nov. de 2025

(nascido em 23/02/1946)
Seu Didi nasceu e cresceu no mesmo chão onde mora até hoje: o Porto de Trás, em Itacaré. A casa, que guarda sua história, foi o berço e segue sendo o abrigo depois de tantos anos.
Casado há 56 anos com Dona Maria das Graças de Jesus Soares, juntos construíram uma grande família: tiveram dez filhos — nove moram em Itacaré e uma vive na Suécia. Vieram depois 23 netos e oito bisnetos.
Com a fala agora bem fraquinha e a mobilidade bastante reduzida, quem ajuda a contar suas memórias é Dida, sua filha. É ela quem dá voz ao carinho e ao orgulho que a família sente por ele: “A gente recebeu dos nossos pais muito respeito, muito amor. Todos os filhos estão bem.”
Desde jovem, Seu Didi aprendeu o ofício de serrador. “Puxava serrote” na madeireira que existia na Passagem, ganhando o sustento com o trabalho duro das mãos, no tempo em que se aprendia olhando os outros fazerem.
Teve seis irmãos, todos nascidos em Itacaré. Não conviveu muito com o pai, mas guarda na memória o carinho com Maria Mercê, a Yayá, como eram chamadas as avós: “Ela era muito alegre, gostava de samba e o São João era a festa dela.”
A avó materna, Yayá Simplicia, também nasceu em Itacaré. Era indígena. “Foi pega a laço no mato, era índia mesmo”, conta a família. Tinha dentes perfeitos, que cuidava com folha de limão — nunca usou pasta de dente. A memória da matriarca ainda está presente na placa da porta da antiga casa da mãe: “Casa de Yayá”.
Seu Didi sempre foi festeiro. O Bicho Caçador não saía sem ele. Era ele quem arrumava as roupas, organizava tudo junto com Seu Nazi, Seu Ari e depois com Seu Nengo. Perguntado sobre quem ensinou o Bicho Caçador, responde com simplicidade: “Os outros.”
Segundo suas lembranças, a tradição já vinha de antes, de outras comunidades. Antigamente, o Bicho Caçador descia o Rio de Contas, de barco, passando de comunidade em comunidade. Ficavam dias em festa. As crianças iam junto, e toda a comunidade ajudava a preparar as roupas e a brincadeira.
Foi à escola, estudou até a 5ª série, aprendeu a ler e escrever, mas diz com humildade que não aprendeu muito.
Hoje, Seu Didi carrega a memória viva do Porto de Trás. Mesmo com o corpo já limitado, é no olhar e no silêncio cheio de história que repousa a grandeza de sua trajetória.






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