top of page

Dona Zelita - Joselita Maria da Conceição

  • resistenciaehistor
  • 5 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 9 de nov. de 2025

Retrato de Dona Zelita, mulher preta de 76 anos. Ela olha compenetrada para a câmera e seu rosto não possui rugas. Usa um lenço colorido na cabeça, sobre os cabelos, e uma camiseta branca. Está sentada em um sofá e a parede ao fundo é em tom pastel.

(nascida em 18/07/1949)


Dona Zelita nasceu em Itacaré, na região do Fojo, lá na roça, em 18 de julho de 1949. Desde cedo, a vida lhe ensinou o caminho da força e da superação. “Fui criada nas casas dos outros. Depois vim pra casa da madrinha, aqui no Porto de Trás.


Filha de Rosenita Maria da Conceição — que partiu no ano passado — e de José Santana dos Santos, ambos de Itacaré, cresceu ao redor dos irmãos, mas longe da criação dos pais. Alcançou, ainda menina, conhecer o avô paterno, seu Anselmo, mas as lembranças são poucas.


Criou, praticamente sozinha, os cinco filhos. “Nunca casei com o pai deles, ele pouco ajudou.” Para sustentar a família, lavou roupa, cozinhou nas casas dos outros, vendeu cocada e geladinho pelas ruas.


A casa onde mora foi presente da madrinha. Com o tempo, foi ampliando e adaptando os cômodos para acolher os filhos e netos que foram chegando.


Hoje, a história da sua família está toda ali, na parede da sala: um quadro com as fotos de filhos, netos, genros, noras, e também dos filhos de criação. Um verdadeiro altar de afeto e resistência cotidiana. Cada rosto é um pedaço do caminho que ela construiu com as próprias mãos.


Além dos filhos de sangue, Dona Zelita criou filhos de coração: “Criei mais quatro, um neto e uma menina que não é neta, mas tenho como neta até hoje.


Todos os filhos foram para a escola. Ela mesma buscou aprender depois de adulta, nas aulas do EJA, com a professora Miréia, na associação. “Aprendi um pouco a ler e escrever, mas as aulas pararam.” Já com as pernas doentes, conta com o cuidado atento das filhas: “Agora são elas que me ajudam.


Católica de devoção firme, mantém na sala um altar com suas imagens de fé: Bom Jesus da Lapa, Nossa Senhora, São Miguel, Santa Luzia. Frequentou também o candomblé como visitante, no tempo de Mãe Júlia, quando o terreiro ainda ficava no Porto de Trás. “Depois que Mãe Júlia mudou pra roça, eu não fui mais.


Dona Zelita é dessas mulheres que carregam em si a coragem e a ternura. Sua casa é hoje o espelho da família que formou: um ninho de amor bordado na luta.

Comentários


Mais Velhos Homenageados e Homenageadas

Aqui é possível conhecer todas as pessoas homenageadas pela exposição. Navegue e conheça todas essas histórias!

Banner com as logomarcas de apoio da Secretaria de Cultura de Itacaré e Apoio financeiro do governo da Bahia, da PNAB e do governo federal.
bottom of page